A partir desta segunda-feira (16), o Brasil dá um passo importante na modernização e digitalização dos seus meios de pagamentos. O Pix, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, passa a valer amplamente para todas as pessoas e empresas que possuem uma conta corrente, conta poupança ou uma conta de pagamento pré-paga em uma das 762 instituições aprovadas pelo Banco Central.

Entre outras vantegens, o Pix promete reduzir os custos para as empresas e proporcionar mais eficiência no fluxo de caixa. Ele permite, por exemplo, que pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEI) consigam enviar e receber dinheiro de forma gratuita via celular 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Para pessoas jurídicas (empresas), é o banco ou a fintech que escolhe se vai cobrar pelo uso do Pix ou não.

O Pix servirá não apenas para transferências instantâneas de dinheiro, como poderá ser usado para o pagamento de boletos, de contas de luz, de impostos e para compras no comércio. Com a ferramenta, será possível o cliente sacar dinheiro no comércio, ao transferir o valor desejado para o Pix de um estabelecimento e retirar as cédulas no caixa.

Um dos objetivos do sistema é a inclusão dos desbancarizados no sistema financeiro. Segundo o Banco Central, o Brasil possui cerca de 45 milhões de pessoas sem acesso a conta bancários e serviços financeiros. “Um sistema de pagamento que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, em frações de segundos, vai incentivar as pessoas que, por algum motivo, não têm necessidade de ter uma conta bancária”, diz Leandro Vilain, diretor executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Até sábado, 29 milhões de consumidores e 1,7 milhão de empresas já haviam se cadastrado no sistema. Ao todo, eles cadastraram 70 milhões de chaves Pix – a chave Pix é o meio de identificação de uma conta bancária no sistema de pagamentos instantâneos e pode ser o CPF/CNPJ, o celular ou o e-mail do cliente ou, ainda, uma chave aleatória.

As operações do PIX poderá ser feita em apenas 4 passo

Testes
Desde o dia 3 de novembro, um número reduzido de clientes teve acesso ao sistema Pix de forma adiantada. Essa etapa serviu como teste e, segundo o diretor do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, que comanda do setor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, o desempenho do Pix foi um “sucesso estrondoso”.

Nos testes, o sistema Pix registrou mais de 57 mil transações somente na última sexta-feira (6). Pelo final de semana, o número indicado foi de 19,5 mil transações, com a quantia de R$ 4,2 milhões. Apesar de buscar evitar possíveis problemas, o diretor acredita que estes acontecerão de forma pontual.

Apesar dos grandes diferenciais do novo sistema de pagamento, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, acredita que o impacto não será tão grande. Segundo ele, por volta de 60% das contas transacionais não cobram tarifas.

A outra parcela de 40% também não apresenta cobrança em parte significativa. Por isso, “não é o Pix que vai fazer com que haja uma grande perda de receita bancária”, afirmou o dirigente ao Terra.

Eduardo Fregonesi, CEO da Synapcom: “PIX surge como forma de pagamento prática e sem atrito na experiência de compra do usuário”

Comércio eletrônico
A chegada do Pix está criando grandes expectativas para consumidores e empresários, mas uma das áreas que mais serão beneficiadas com o novo sistema será o comércio eletrônico. Para as lojas virtuais, espera-se que esse novo meio de pagamento acelere ainda mais o processo de finalização de compra, de forma que o cliente conclua um pedido e confirme o pagamento em instantes, acelerando o processo. No boleto, por exemplo, o consumidor chega a esperar até três dias úteis para confirmação do pagamento e só depois a entrega é iniciada.

“O PIX surge como forma de pagamento prática e sem atrito na experiência de compra do usuário, ou seja, não há mudança de tela no checkout e todas as informações são transparentes”, explica Eduardo Fregonesi, CEO da Synapcom, empresa que oferece gestão para e-commerces.

Evidentemente, a entrada de um novo meio de pagamento, principalmente desenvolvido pelo órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional, exige adaptações. As principais mudanças serão nas instituições financeiras, mas no âmbito do comércio eletrônico é esperado um movimento de incentivo na adoção desse meio de pagamento nas compras on-line pelos benefícios já citados. “Empresas especializadas em soluções neste segmento precisam trabalhar para que os lojistas tenham essa opção assim que possível a fim de agilizar toda a cadeia de compras”, Diz Fregonezi.

André Ferraz, CEO da Inloco: “Com o Pix, poderemos estar diante do fim do boleto e de várias fraudes”.

Black Friday e segurança
O Pix entra em operação em um momento especial. Dias após o seu lançamento acontece a Black Friday, período marcado por grandes descontos e também por fraudes, em sua maioria feitas pela internet. Segundo o Banco Central, a segurança faz parte do desenho do Pix desde seu princípio e os requisitos de disponibilidade, confidencialidade, integridade e autenticidade das informações foram cuidadosamente estudados e diversos controles foram implantados para garantir alto nível de segurança.

O sistema é feito de maneira que todas as transações ocorrem por meio de mensagens assinadas digitalmente e que trafegam de forma criptografada, em uma rede protegida e apartada da Internet.

Para André Ferraz, CEO da Inloco, empresa especializada no combate a fraudes, varejistas e consumidores sairão ganhando tanto em agilidade, quanto em segurança, isso porque podemos estar diante do fim do boleto e com ele as chances de fraudes que hoje são comuns na internet.

“O pagamento em boleto só é compensado em até 3 dias úteis o que abre espaço para todo tipo de fraude”, explica André. Segundo o especialista, essa é uma das grandes vantagens do Pix. “Com o Pix, poderemos estar diante do fim do boleto. O varejo terá um custo mais baixo para receber pagamentos do que no caso da emissão de um boleto e poderá até oferecer descontos ou cashback para o consumidor, que não precisará esperar a compensação para que o seu produto saia do estoque”, ressalta o executivo.

Fonte: Varejo S.A – CNDL

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